A escritora brasiliense Paulliny Tort, confirmada como uma das convidadas da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) em 2026, provocou reflexão ao sugerir que a humanidade contemporânea compartilha muitas semelhanças com indivíduos que viveram na pré-história. Tort participará do evento literário, que ocorrerá entre 22 e 26 de julho, ao lado de outros nomes confirmados como Bethânia Pires Amaro, Julieta Correa e Leonardo Gandolfi, sob curadoria de Rita Palmeira e com a poeta Orides Fontela como homenageada.
Em entrevista, Tort detalha o processo criativo por trás de sua obra, comparando-o à jornada de Alice no País das Maravilhas, e destaca a relevância de referências clássicas e a força duradoura das “imagens que permanecem” na literatura.
Romance ‘Os imortais’ explora o encontro entre neandertais e Homo sapiens
O livro mais recente de Paulliny Tort, “Os imortais”, transporta o leitor para a pré-história, narrando o encontro entre indivíduos neandertais e Homo sapiens. A obra, publicada pela Fósforo, aborda o tema de espécies em diferentes estágios de sua existência – uma à beira da extinção e outra no início de sua trajetória evolutiva. Este cenário, segundo a autora, convida a pensar sobre o fim e os começos.
Embora Tort não tenha focado em pesquisa específica para “Os imortais”, ela menciona que leituras e estudos sobre evolução, primatologia e ciências biológicas, áreas pelas quais demonstrou interesse em sua formação acadêmica e profissional, serviram de pano de fundo. Uma experiência em primatologia e vivências de infância com a avó, ensinando sobre a vida com plantas e animais, também foram fontes de inspiração, levando-a a escrever sobre o que sente, e não apenas sobre o que sabe.
Literatura antiga e a familiaridade das emoções humanas
Tort ressalta a importância da literatura antiga, citando obras como a epopeia de Gilgamesh e textos de Hesíodo e Ovídio, como referências. Segundo a escritora, essas obras, apesar de antigas, tratam de temas e emoções que ainda são extremamente familiares aos dias atuais, como o amor e a raiva. A autora argumenta que, apesar do tempo transcorrido, a essência humana permanece constante.
“O tempo que separa as gerações humanas pode parecer muito grande, porque cada um de nós não dura mais que um século, mas chegamos a esse mundo faz pouco. Não somos tão diferentes das pessoas do passado”, pontua Paulliny Tort.
Ela também comenta que, ao escrever, não pensa no que está fora da história, pois a recepção e a interpretação são movimentos posteriores. No entanto, a tensão entre o começo e o fim é inerente à vida, presente em processos celulares, cósmicos e atômicos, e a humanidade busca controlar ou acelerar tais ciclos, embora, paradoxalmente, enfrente consequências como mortes prematuras devido a fatores como má alimentação e poluição.
O livro “Os imortais” tem 232 páginas e foi publicado pela editora Fósforo.



