O livro “Brutal”, escrito por Manuela Lisot, alcançou reconhecimento nacional ao ser finalista do Prêmio Loba Festival, realizado em São Paulo. A obra, composta por contos centrados em personagens femininas e na temática da violência contra a mulher, nasceu de um processo de escrita pessoal da autora, que inicialmente não visava a publicação.
Manuela Lisot explicou que o processo de escrita foi uma ferramenta terapêutica. “O que está aqui nesse livro, no Brutal, eu comecei a escrever como parte de um processo de terapia. Não era para publicar, a ideia não era, inicialmente, assim, fazer um livro. Eu escrevia porque eu precisava”, revelou a escritora durante uma entrevista.
Apesar da origem íntima da escrita, Lisot ressalta que as histórias não são autobiográficas. “As histórias não são sobre a minha vida. Elas são criações, é um objeto estético, uma obra de arte. São personagens”, frisou.
Gabriela Leal, que também participou da conversa, destacou a qualidade literária dos textos de Manuela Lisot. “O que eu percebi nos textos da Manu é que ela já tinha feito esse deslocamento, ela tinha ali, realmente, um objeto artístico”, avaliou.
O livro “Brutal” apresenta contos independentes que exploram as reações femininas diante de diferentes situações de violência. “São histórias de mulheres que reagem à violência. É principalmente sobre violência contra a mulher”, afirmou Manuela Lisot.
O reconhecimento em premiações como o Loba Festival, segundo Gabriela Leal, demonstra a maturidade do texto. “Quando pega um texto e enxerga essa maturidade, esse conteúdo que já está muito bom para ir para o mercado, eles não titubearam, foram super rápidos”, comentou Leal.
Leal também pontuou que a literatura tem o poder de acessar emoções e experiências. “A literatura me permite viver qualquer coisa que eu quiser viver”, disse.
A obra “Brutal” está disponível para compra em plataformas online e também pode ser adquirida diretamente com a autora através de suas redes sociais.




O que mais chama a atenção na proposta de Brutal é o foco na reação das mulheres diante da violência. Em vez de apenas retratar o sofrimento como um fato estático, o livro parece dar voz e agência a essas personagens. É essencial que a literatura brasileira contemporânea abra espaço para narrativas que humanizam essas lutas e nos façam refletir sobre a realidade de tantas mulheres
Ver uma obra com uma temática tão densa ser finalista de um prêmio como o Loba Festival é um sinal de que o mercado literário está atento a vozes que não têm medo de tocar em feridas sociais. Como o artigo menciona, a literatura nos permite viver e sentir experiências diversas; que Brutal sirva como uma ponte para gerar empatia e conscientização sobre um problema que ainda é tão urgente em nossa sociedade.
É fascinante e, ao mesmo tempo, muito forte saber que o livro nasceu de um processo terapêutico. Isso mostra como a escrita pode ser uma ferramenta de cura e como a arte consegue transformar dores profundas em algo tangível e necessário para o mundo. O fato de a autora ter começado a escrever ‘porque precisava’ dá uma autenticidade única para a obra.