Por que as pessoas estão lendo menos?

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Por que as pessoas estão lendo menos?

Pessoas de diferentes idades lendo em uma biblioteca moderna e acolhedora.

Você já parou para pensar por que as prateleiras de livros parecem menos frequentadas e por que conversas sobre leituras recentes se tornaram mais raras? Essa é uma pergunta que ecoa em muitos círculos, e a resposta pode ser mais complexa do que imaginamos. A verdade é que, nos últimos anos, o hábito da leitura tem diminuído em diversas partes do mundo, incluindo o Brasil. Pesquisas recentes indicam uma queda significativa no número de leitores, levantando um alerta sobre o futuro da disseminação do conhecimento e da cultura.

A principal razão apontada para essa diminuição é a falta de tempo. Em um mundo cada vez mais acelerado, com demandas constantes do trabalho, vida pessoal e obrigações diversas, encontrar momentos para se dedicar a um livro se tornou um desafio para muitos. Além da escassez de tempo, outros fatores, como a preferência por outras formas de entretenimento e a diminuição da paciência para a leitura, também contribuem para esse cenário. Mas o que exatamente está por trás dessas mudanças e quais as consequências para a sociedade? Vamos mergulhar nas causas e explorar os caminhos para reverter essa tendência.

A realidade preocupante da leitura no Brasil

A percepção de que as pessoas estão lendo menos não é apenas uma impressão. Dados concretos da 6ª edição da pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, realizada pelo Instituto Pró Livro e pelo Ipec, revelam um cenário preocupante. Entre 2019 e 2024, o país perdeu aproximadamente 6,7 milhões de leitores. Pela primeira vez na série histórica desse levantamento, que começou em 2007, o número de não leitores superou o de leitores. Atualmente, 53% da população brasileira não leu nenhum livro – impresso ou digital – nos três meses anteriores à pesquisa.

Se considerarmos apenas a leitura de livros inteiros, o índice de leitores cai ainda mais, atingindo apenas 27% dos brasileiros no mesmo período. Essa diminuição representa um aumento de cinco pontos percentuais em relação a 2019, consolidando os dados deste ano como os que apresentam o maior total de “não-leitores” já registrado pelo estudo. Essa queda generalizada é um indicativo forte de que algo precisa ser feito para reavivar o interesse pela leitura.

Os principais motivos por trás da queda na leitura

A pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil” detalha as razões que levam as pessoas a se afastarem dos livros. O fator preponderante, como já mencionado, é a falta de tempo, apontada por quase 50% dos entrevistados como a principal justificativa. Em seguida, aparecem a preferência por outras atividades (9%) e a falta de paciência para ler (8%).

O ranking completo das 12 principais razões apresentadas na pesquisa é o seguinte:

  • 46% por falta de tempo;
  • 9% porque prefere outras atividades;
  • 8% porque não tem paciência para ler;
  • 7% porque se sente muito cansado para ler;
  • 7% porque não há bibliotecas por perto;
  • 5% porque acha o preço do livro caro;
  • 4% porque não gosta de ler;
  • 4% porque não tem dinheiro para comprar;
  • 3% porque não tem um lugar apropriado para ler;
  • 3% porque tem dificuldades para ler;
  • 3% por não ter um local onde comprar livros;
  • 1% por problemas de saúde/visão;
  • 1% outros.

Esses dados oferecem um panorama claro dos obstáculos enfrentados por quem deseja ler ou manter o hábito. A falta de tempo, o cansaço e a preferência por outras formas de entretenimento demonstram uma mudança no estilo de vida e nas prioridades de muitas pessoas.

A influência da tecnologia e outros fatores socioeconômicos

A tecnologia, onipresente em nosso cotidiano, é frequentemente apontada como uma das grandes responsáveis pelo desinteresse pela leitura. Laura Vecchioli do Prado, coordenadora de literatura e informativos do Editorial de Educação Básica da SOMOS Literatura, corrobora essa visão. Segundo ela, os dispositivos eletrônicos e as redes sociais desviam a atenção, especialmente dos jovens, da leitura de livros. A gratificação instantânea e a variedade de conteúdos disponíveis online competem diretamente com o ritmo mais contemplativo da leitura tradicional.

Além do impacto da tecnologia, a situação socioeconômica da população também desempenha um papel crucial. O acesso limitado a livros e bibliotecas em determinadas regiões e o preço elevado dos livros configuram barreiras significativas. Para muitas famílias, a aquisição de livros representa um custo que pode ser inviável, especialmente quando comparado a outras necessidades básicas.

As consequências da diminuição da leitura

A redução do hábito de leitura acarreta sérias consequências para o desenvolvimento individual e coletivo. Laura Vecchioli do Prado destaca que a leitura é fundamental para o desenvolvimento cognitivo e crítico de crianças, adolescentes e jovens. A falta dela pode resultar em:

  • Menor capacidade de compreensão textual;
  • Vocabulário limitado;
  • Dificuldades na escrita.

Esses déficits impactam diretamente o desempenho acadêmico e, a longo prazo, podem comprometer a qualidade da educação em um país. Limitações no desenvolvimento pessoal e profissional dos jovens são uma consequência direta, criando um ciclo que pode perpetuar desigualdades.

O papel da escola na formação de leitores

Tradicionalmente, a escola tem sido um pilar na formação de leitores. No entanto, os dados mais recentes da pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil” indicam uma mudança preocupante nesse cenário. Apenas 19% dos entrevistados citam a escola como o lugar onde costumam ler, o menor índice já registrado. Em 2007, esse percentual era de 35%.

A indicação de livros pela escola também tem perdido força como motivador. Atualmente, apenas 4% dos leitores citam a recomendação escolar como motivo para a leitura, um número drasticamente inferior aos 25% registrados em 2011. Essa desvinculação da escola como espaço de fomento à leitura é um ponto de atenção para educadores e gestores públicos.

Quem lê mais: gênero e escolaridade

A pesquisa também oferece um panorama sobre os perfis de leitores no Brasil. As mulheres continuam lendo mais que os homens, embora ambos os grupos tenham apresentado queda no percentual de leitores. Em 2024, 49% das mulheres são leitoras, contra 44% dos homens. Estima-se que haja cerca de 50,4 milhões de mulheres leitoras e 42,9 milhões de homens leitores no país.

Quando se trata de escolaridade, os estudantes leem significativamente mais. Entre eles, 77% são leitores, enquanto apenas 37% dos não estudantes possuem o hábito. Os dados também mostram que pessoas com ensino superior completo (63%) leem mais do que aquelas em outras etapas de escolaridade, seguidas pelo ensino fundamental (anos finais) com 49%, ensino médio com 48% e ensino fundamental (anos iniciais) com 40%.

Como reverter a tendência de queda na leitura?

Reverter o declínio no hábito de leitura exige um esforço conjunto e multifacetado. A professora Laura Vecchioli do Prado sugere algumas estratégias importantes:

  • Campanhas de incentivo à leitura nas escolas: programas que promovam o contato com livros e despertem o prazer de ler desde cedo.
  • Criação e manutenção de bibliotecas públicas e escolares: especialmente em áreas remotas e carentes, garantindo o acesso gratuito ao acervo literário.
  • Políticas públicas que visem a democratização do acesso aos livros, como a redução de impostos e o fomento à produção editorial nacional.
  • Inclusão da leitura como prática cotidiana: pais e responsáveis incentivando a leitura em casa, criando rotinas e oferecendo livros como presentes.
  • Uso estratégico da tecnologia: plataformas digitais, aplicativos e redes sociais podem ser ferramentas para promover a leitura, com clubes virtuais, recomendações personalizadas e discussões literárias.

É fundamental trabalhar juntos para criar uma cultura de leitura que inspire todas as gerações a amar os livros e a buscar continuamente o conhecimento. A leitura não é apenas um passatempo, mas uma ferramenta poderosa para o desenvolvimento pessoal, a expansão do pensamento crítico e a construção de uma sociedade mais informada e engajada.

A leitura como diferencial para o futuro

Independentemente dos desafios atuais, o valor da leitura permanece inalterado. Para estudantes que se preparam para vestibulares como Fuvest e Unicamp, a leitura dos livros indicados é essencial não só para responder corretamente às questões, mas também para turbinar o vocabulário e a capacidade de interpretação. Essa habilidade de pensar mais rápido e de forma crítica é fundamental para se destacar em provas e na vida.

Ampliar o repertório com leituras de temas variados contribui para a bagagem cultural, permitindo fazer conexões inteligentes e análises profundas. Além disso, a leitura é a base para uma escrita de qualidade, um diferencial cada vez mais valorizado no mercado de trabalho e em diversas esferas da vida.

Portanto, a pergunta “Por que as pessoas estão lendo menos?” nos convida a refletir sobre nossos hábitos e a buscar soluções. Incentivar a leitura é investir no futuro, no desenvolvimento de indivíduos mais críticos, criativos e preparados para os desafios do século XXI.

Fontes

Tags :
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