O escritor baiano Lucas de Matos está em Luanda, Angola, entre os dias 25 de fevereiro e 3 de março, para a realização do projeto Preto Ozado: Circuito de Lira Afrolusófona. A iniciativa configura-se como uma circulação literária internacional que abrange poesia falada, mediação de leitura, produções audiovisuais e um intercâmbio cultural entre o Brasil e os países africanos de língua portuguesa (PALOP).
As atividades estão programadas para ocorrer em locais estratégicos como o Instituto Guimarães Rosa – Luanda, a Biblioteca Contr’Ignorância, a Kiela Livraria e o Centro de Animação Artística do Cazenga (ANIM’art). O projeto tem como objetivo promover a disseminação do livro “Preto Ozado” (2022), estabelecendo um diálogo com obras de escritores africanos contemporâneos e fortalecendo os laços no campo da literatura afrolusófona.
O circuito foi concebido como um espaço para troca estética e política, onde a palavra poética é vista como um instrumento essencial para a memória, a construção de identidade, a crítica social e o sentimento de pertencimento. Lucas de Matos, que já realizou o lançamento de seu livro em Moçambique, ressalta a importância de realizar essas travessias compartilhando sua arte e fortalecendo a literatura brasileira em solo africano.
“O projeto busca aproximações com a poesia daqui e de lá. Vamos experimentar a palavra para além da escrita, mas sobretudo na fala e na interpretação. Estou muito entusiasmado”, declarou o comunicador, que em 2025 entrevistou a escritora Paulina Chiziane em Moçambique.
‘Preto Ozado’ alcança sucesso nacional e internacional
“Preto Ozado”, obra que marca a estreia de Lucas de Matos no mercado editorial, já circulou em lançamentos por diversas cidades brasileiras. O livro atingiu a 39ª posição entre os títulos de literatura e ficção mais vendidos na Amazon e superou a marca de 5 mil exemplares vendidos em todo o país. A obra compila mais de 45 poemas, divididos nas seções “De Onde Vim”, “Onde Estou” e “Para Onde Vou”, explorando temas como antirracismo, ancestralidade e o impacto transformador da educação.
A publicação conta com ilustrações de Silvana de Menezes, que enriquecem a experiência estética do leitor. A abordagem do termo “vivência” em substituição a “oficina” reflete a proposta de uma experiência compartilhada que vai além do caráter técnico, articulando leitura, escuta, oralidade e interação com a palavra poética.
Vivência poética e expressão performática como pilares do projeto
Através de exercícios práticos e dinâmicas conduzidas por Lucas de Matos, os participantes exploram ritmo, respiração, presença cênica e interpretação falada, experimentando a poesia como uma prática performática. O culminar dessas ações é o Sarau do Preto Ozado, uma apresentação coletiva onde os participantes compartilham textos autorais ou de referência, ao lado de artistas angolanos convidados. Todas as atividades do circuito são gratuitas.
Programação diversificada inclui cinema, literatura e debates
A programação do evento inclui a sessão de cinema “Dos livros pras telas”, com a exibição do minidocumentário “Preto Ozado” e da série “Confissões de Viajante sem Grana”. Após as exibições, haverá um bate-papo com Lucas de Matos, a produtora cultural Manoela Ramos e o roteirista e fotógrafo Edvaldo Silva Júnior. O circuito também contempla o lançamento do livro Preto Ozado, com sessão de autógrafos e uma roda de conversa focada no cenário editorial afro-brasileiro e africano, abordando os desafios da publicação independente, políticas de leitura e a circulação internacional de obras.
Agenda detalhada das atividades
- Biblioteca Contr’Ignorância
- 25 de fevereiro (16h às 18h) – Vivência de Performance Poética
- 25 de fevereiro (18h às 19h30) – Sessão de cinema
- 28 de fevereiro (14h às 17h) – Sarau do Preto Ozado
- Livraria Kiela
- 27 de fevereiro (18h) – Encontro sobre poesia brasileira, com Lucas de Matos e Manoela Ramos
- ANIM’art
- 3 de março (14h às 16h) – Vivência de Performance Poética
- 3 de março (17h às 18h) – Sessão de cinema


