Erros mais comuns de autores iniciantes

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Erros mais comuns de autores iniciantes

Autor iniciante superando erros comuns na escrita

Os tropeços que todo escritor que está começando deve evitar

Iniciar a jornada na escrita é um ato de coragem e paixão, mas o caminho é repleto de armadilhas. Muitos autores iniciantes, imersos na empolgação de ver suas ideias ganharem vida no papel (ou na tela), acabam tropeçando em erros que podem comprometer o impacto de suas obras e, por vezes, sua própria confiança. Reconhecer esses deslizes comuns é o primeiro passo para superá-los e lapidar um texto que ressoe com os leitores. De acordo com Escritora Ramos, a falta de atenção a detalhes cruciais e a concepção equivocada do ofício literário são os principais vilões. Este artigo se propõe a desmistificar os erros mais frequentes, oferecendo um guia prático para que você, aspirante a escritor, possa trilhar um caminho mais seguro e promissor na arte de contar histórias.

Entender a intenção por trás de cada palavra e a estrutura que cativa o leitor é fundamental. A pressa em publicar, a falta de revisão minuciosa e a dificuldade em se colocar no lugar do público-alvo são apenas alguns dos obstáculos. Este guia se aprofundará nas particularidades de cada erro, fornecendo exemplos e dicas práticas para transformá-los em aprendizados valiosos. Ao final desta leitura, você estará mais preparado para evitar as ciladas que assombram os escritores iniciantes e dar passos firmes em direção à maestria literária.

A síndrome do gênio incompreendido: inveja e autossabotagem

Um dos equívocos mais notórios entre autores novatos é a dificuldade em mensurar o próprio valor, caindo em dois extremos prejudiciais: a arrogância de se considerar um gênio incompreendido ou a autocrítica severa que paralisa. Como aponta Viltoreis, a ideia de que “todo escritor iniciante parece um idiota” muitas vezes se origina dessa desconexão com a realidade do mercado editorial e da recepção crítica. Escritores que se julgam geniais tendem a acreditar que suas obras deveriam ser aclamadas instantaneamente, negligenciando a importância da revisão e do aprimoramento contínuo. Essa postura pode gerar inveja de autores reconhecidos, desviando o foco do desenvolvimento pessoal para a crítica improdutiva.

Por outro lado, aqueles que se veem como incapazes de produzir algo de valor, por mais esforço que invistam, caem em um ciclo de desânimo. Para esses, a percepção é que tudo que escrevem é péssimo. Embora essa autopercepção possa, em alguns casos, motivar a busca por melhorias, quando excessiva, ela se torna um bloqueio criativo. A chave reside em um equilíbrio saudável entre autoconfiança e humildade. Receber feedback, estudar a obra de outros escritores e dedicar-se à prática são caminhos mais eficazes do que se autoafirmar um gênio ou se afundar na insegurança.

Como superar a armadilha da inveja e da autocrítica paralizante:

  • Aceite o processo de aprendizado: Nenhum autor nasce pronto. A jornada literária é construída com tempo, estudo e prática.
  • Busque feedback construtivo: Compartilhe seu trabalho com leitores confiáveis ou grupos de escrita e esteja aberto a críticas que visem o aprimoramento.
  • Estude os mestres: Analise como autores consagrados constroem suas narrativas, exploram personagens e desenvolvem tramas.
  • Celebre pequenas vitórias: Reconheça e valorize cada progresso, por menor que seja.
  • Separe o autor da obra: Lembre-se que seu valor como pessoa não está diretamente atrelado à recepção de seus textos.

A ausência de conflito: o sopro vital que falta nas histórias

Uma narrativa sem conflito é como um corpo sem alma: falta-lhe o motor que impulsiona a trama e engaja o leitor. Muitos escritores iniciantes, receosos de desagradar ou de lidar com temas sensíveis, acabam por evitar os conflitos em suas histórias. O resultado? Personagens apáticos, tramas lineares e um público que não se conecta emocionalmente com o que está sendo contado. De acordo com Viltoreis, a falta de conflito é um dos “pecados capitais” que tornam um escritor iniciante menos eficaz.

O conflito é o que gera tensão, dúvida e curiosidade. Ele pode se manifestar de diversas formas: personagem contra personagem, personagem contra sociedade, personagem contra a natureza, personagem contra a tecnologia, personagem contra si mesmo (conflito interno) ou personagem contra o sobrenatural. Cada um desses tipos, quando bem explorado, oferece oportunidades únicas para o desenvolvimento de personagens complexos e tramas envolventes.

Explorando o poder do conflito na sua narrativa:

  • Introduza tensões desde o início: Apresente um problema ou desafio para o protagonista logo nos primeiros capítulos.
  • Desenvolva o antagonismo: Crie obstáculos significativos, sejam eles outros personagens, forças externas ou dilemas morais.
  • Conflitos internos e externos: Utilize ambos os tipos para dar profundidade ao personagem. As lutas internas podem refletir ou contrastar com as batalhas externas.
  • Aumente a escala: Gradualmente, intensifique os desafios enfrentados pelos personagens para manter o leitor preso à história.
  • Consequências reais: Certifique-se de que as ações dos personagens e os conflitos enfrentados tenham consequências palpáveis em suas vidas e na trama.

Luxúria pelas palavras: a arte de seduzir o leitor

Escrever bem não se resume a usar vocabulário rebuscado ou construir frases longas e complexas. Na verdade, a exibição excessiva de palavras, sem clareza ou propósito, pode ser um tiro no pé para o escritor iniciante. A “luxúria pelas palavras”, como descrito por Viltoreis, refere-se à incapacidade de seduzir o leitor com a concisão e a precisão. Em vez de transmitir profundidade, o excesso de verbosidade pode soar como um autoengano, onde o autor acredita estar escrevendo algo grandioso, mas na prática, diz pouco.

A verdadeira maestria reside em dizer muito com poucas palavras. A leitura de poetas e a prática de contos são exercícios valiosos nesse sentido. A poesia, com sua capacidade de evocar emoções e imagens complexas em versos curtos, ensina a força da concisão. Contos, por sua vez, demandam precisão e economia de linguagem para desenvolver uma história completa em um espaço limitado. Uma escrita acessível e impactante muitas vezes se beneficia de frases mais curtas e diretas, facilitando a compreensão e a imersão do leitor.

Aprimorando a sedução verbal:

  • Priorize a clareza: Certifique-se de que sua mensagem seja compreendida sem esforço excessivo por parte do leitor.
  • Pratique a escrita concisa: Elimine palavras e frases desnecessárias que não agregam valor à narrativa.
  • Leia poesia e contos: Estude como esses gêneros utilizam a linguagem de forma potente e econômica.
  • Varie o tamanho das frases: Alterne entre frases curtas e mais longas para criar ritmo e fluidez.
  • Foco na experiência do leitor: Pense em como suas palavras afetarão quem está lendo. O objetivo é envolver, não impressionar com complexidade desnecessária.

Gula de adjetivos: a obesidade textual

A tentação de descrever cada detalhe com uma profusão de adjetivos é grande, especialmente para quem busca preencher páginas ou conferir um tom mais elaborado ao texto. Contudo, essa dieta desregrada de adjetivos, como chama Viltoreis, pode levar a uma narrativa “obesa”, inchada e cansativa. A influência cultural, particularmente de textos traduzidos do inglês, que por vezes permite maior liberalidade no uso de adjetivos, pode mascarar a necessidade de adaptação ao português, onde a precisão e a originalidade na escolha das palavras são ainda mais valorizadas.

O segredo não está na quantidade, mas na qualidade e na originalidade dos adjetivos. Em vez de usar termos genéricos, busque aqueles que evocam imagens fortes e únicas. Um exemplo clássico é a descrição de Machado de Assis em “olhos de ressaca” para Capitu. Essa escolha é literária, impactante e instiga a imaginação do leitor, algo que um simples “olhos bonitos” jamais conseguiria.

Como moderar o uso de adjetivos:

  • Use adjetivos com propósito: Cada adjetivo deve adicionar informação relevante ou nuance à descrição.
  • Prefira verbos e substantivos fortes: Muitas vezes, um verbo bem escolhido ou um substantivo específico pode substituir um adjetivo e um advérbio de forma mais eficaz.
  • Busque originalidade: Evite clichês e clichês. Pense em comparações e metáforas inusitadas.
  • Leia autores que dominam o português: Observe como escritores brasileiros consagrados utilizam a língua, notando a precisão e a beleza de suas descrições.
  • Revise criticamente: Na etapa de edição, questione a necessidade de cada adjetivo. Pergunte-se se ele realmente enriquece o texto ou apenas o infla.

Ganância por cenários desconhecidos: a importância da pesquisa

Escrever sobre lugares que não se conhece pode parecer um exercício de imaginação fértil, mas sem uma base sólida de pesquisa, a narrativa tende a soar artificial e superficial. A “ganância” em explorar cenários distantes ou exóticos sem o devido conhecimento, como aponta Viltoreis, é um erro comum que compromete a credibilidade da obra. Autores brasileiros que descrevem Nova Iorque sem nunca terem visitado a cidade, por exemplo, correm o risco de criar descrições genéricas e imprecisas, que não convencem o leitor.

A boa notícia é que a tecnologia moderna oferece ferramentas poderosas para mitigar essa carência. O Google Street View, por exemplo, é um aliado invaluable para explorar visualmente locais, capturar detalhes arquitetônicos, a atmosfera das ruas e até mesmo a vegetação. Ferramentas de pesquisa online permitem acessar informações sobre a cultura local, costumes, sons e cheiros, enriquecendo o cenário fictício com elementos realistas. Mesmo que a viagem física não seja possível, uma pesquisa minuciosa pode fornecer a base necessária para criar descrições vívidas e convincentes, como demonstrado por Clara Madrigano em sua novela “Especial Natalino”.

Maximizando o poder da pesquisa para cenários:

  • Utilize ferramentas online: Explore mapas, Street View, fotos e vídeos de locais para obter uma compreensão visual detalhada.
  • Mergulhe em fontes diversas: Leia artigos, blogs, guias de viagem e até mesmo obras de ficção ambientadas no local para captar a essência.
  • Entenda a cultura e o cotidiano: Pesquise sobre os hábitos locais, a culinária, a música, a história e os costumes para dar autenticidade.
  • Considere os sentidos: Pense em como o lugar cheira, soa, o que se pode sentir ao toque, além do que se vê.
  • Deixe a imaginação dialogar com a realidade: Use a pesquisa como um trampolim, não como uma limitação, para construir seu mundo fictício.

Orgulho do narrador: a separação entre autor e voz narrativa

Uma confusão recorrente entre escritores iniciantes é a identificação do autor com o narrador. Essa percepção equivocada, muitas vezes enraizada no ego ou na falta de compreensão da técnica narrativa, pode levar a uma voz textual que não serve à história. Viltoreis destaca o “orgulho” como o pecado capital ligado a essa questão. A famosa frase de Flaubert, “Emma Bovary sou eu”, embora dita em um contexto específico de defesa legal, não deve ser interpretada literalmente como uma fusão entre autor e personagem/narrador.

É crucial entender que o autor é o criador, a mente por trás da obra. O narrador é a voz que conta a história dentro do universo ficcional, e esta voz pode ter personalidade, visão de mundo e limitações distintas das do autor. Essa separação permite maior flexibilidade criativa, possibilitando a construção de narradores em primeira ou terceira pessoa, com diferentes graus de conhecimento, subjetividade ou distanciamento. Dominar essa distinção é fundamental para conferir profundidade e autenticidade à narrativa.

Como gerenciar a voz narrativa:

  • Defina o tipo de narrador: Opte entre primeira pessoa (eu), terceira pessoa onisciente (sabe tudo), terceira pessoa limitada (acompanha um personagem) ou outras variações.
  • Crie uma persona para o narrador: Dê a ele características, um tom de voz, um vocabulário e um ponto de vista próprios.
  • Mantenha a consistência: Uma vez definida a voz, garanta que ela seja mantida ao longo de toda a obra.
  • Entenda a função do narrador: Ele não é apenas um observador, mas um mediador entre a história e o leitor.
  • Diferencie autor, narrador e personagem: Reconheça que são entidades distintas dentro da estrutura da obra.

Preguiça de revisar: o inimigo silencioso da qualidade

Talvez o erro mais universal e, ao mesmo tempo, mais destrutivo para um escritor iniciante seja a falta de revisão. A ânsia em ver o texto finalizado pode levar a pular a etapa crucial da edição, onde os erros de digitação, gramática, concordância, clareza e coesão são identificados e corrigidos. Viltoreis classifica a falta de revisão como “preguiça”, um pecado capital que impede o autor de alcançar seu potencial máximo.

Uma obra não revisada transparece amadorismo e desleixo, minando a confiança do leitor na capacidade do autor. Erros gramaticais podem alterar o sentido de uma frase, palavras repetidas tornam a leitura maçante e inconsistências na trama quebram a imersão. A revisão não é apenas uma caça a erros, mas um processo de aprimoramento textual que refina a linguagem, fortalece cArgumentos e garante que a mensagem seja transmitida da forma mais eficaz possível. Como os grandes autores demonstram, a dedicação à edição é tão vital quanto o próprio ato de escrever.

Estratégias para uma revisão eficaz:

  • Dê um tempo: Afaste-se do texto por alguns dias antes de revisar. Isso permite um olhar mais crítico e fresco.
  • Revise em etapas: Faça leituras focadas em diferentes aspectos: gramática, ortografia, pontuação, coesão, coerência, clareza e estilo.
  • Leia em voz alta: Isso ajuda a identificar frases mal construídas, repetições e problemas de ritmo.
  • Mude o formato: Tente imprimir o texto ou mudar a fonte e o tamanho da letra para que ele pareça “novo” aos seus olhos.
  • Peça a outra pessoa para ler: Um olhar externo pode captar erros que você deixou passar.
  • Utilize ferramentas de revisão: Softwares de correção gramatical e ortográfica podem ser úteis, mas não substituem a leitura humana atenta.

Conclusão: transformando erros em degraus para o sucesso

Navegar pelo universo da escrita como autor iniciante pode parecer desafiador, mas os erros mais comuns não são becos sem saída, e sim oportunidades valiosas de aprendizado. A inveja, a evitação de conflitos, a verbosidade excessiva, o uso desmedido de adjetivos, a falta de pesquisa em cenários e a confusão entre autor e narrador, culminando na crucial falta de revisão, são armadilhas que, uma vez identificadas, podem ser habilmente transpostas. Ao abordar esses desafios com consciência e estratégia, o escritor transforma obstáculos em degraus para o aprimoramento contínuo.

Lembre-se que a jornada literária é uma maratona, não um sprint. A paixão pela escrita, combinada com a disciplina de estudar, praticar e, acima de tudo, revisar, são os pilares para construir uma carreira sólida e gratificante. Abrace o processo, aprenda com cada passo e não tenha medo de errar; afinal, são os erros que, quando bem compreendidos, nos moldam nos escritores que aspiramos ser.

Tags :
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