A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) sediou na última quarta-feira (1º) o lançamento do livro “A História dos Frentistas no Brasil”, a primeira obra dedicada aos frentistas brasileiros. O evento também apresentou um documentário derivado da publicação, que promete resgatar a memória e as trajetórias de mil profissionais de todo o território nacional.
A iniciativa, viabilizada pela Lei de Incentivo à Cultura e patrocinada pela Vibra Energia, foi desenvolvida pela produtora Barro de Chão. A publicação se propõe a registrar as experiências de mil frentistas, contribuindo para a valorização de uma profissão fundamental para a sustentação da mobilidade urbana brasileira ao longo de décadas.
O deputado Emídio de Souza, proponente do evento na Alesp, ressaltou a importância de reconhecer categorias essenciais como a dos frentistas. “Os frentistas fazem parte de uma categoria que todos nós, em algum momento, dependemos do trabalho e da dedicação deles. Acredito que a Casa se engrandece ao poder homenageá-los”, declarou.
Souza também destacou o impacto da Lei nº 9.956/2000, que proíbe o autosserviço em postos de combustíveis. “Essa foi uma medida importante porque o abastecimento é uma atividade de risco que deve ser exercida por profissionais. E também porque preserva os empregos da categoria”, reforçou o parlamentar.
O evento contou com a presença de representantes sindicais da categoria vindos de diversas regiões do Brasil, evidenciando o alcance nacional do projeto.
Origem e consolidação da profissão de frentista no Brasil
Mauro Rossi, fundador da produtora Barro de Chão e curador do projeto, definiu o frentista como um “farol urbano, uma presença confiável, um profissional que está ali para atender toda a sociedade”. Ele ressaltou a necessidade de conhecer e documentar essa profissão.
Rossi apontou a forte ligação entre a chegada do automóvel ao Brasil, a partir de 1891, e o surgimento dos primeiros operadores de bombas. “Eles são os precursores dos frentistas, a gente encontrou o primeiro traço histórico deles por volta de 1919”, explicou.
A consolidação da profissão ganhou força com a descoberta do petróleo no país em 1939 e o desenvolvimento da indústria petrolífera na década de 1950. “A partir daí, a profissão começa a se consolidar, sendo fundamental para a escalada dos postos de gasolina em todo território nacional, acompanhando a expansão das rodovias e o crescimento urbano”, detalhou o curador.
O desafio de registrar a história dos frentistas
A ideia para o projeto surgiu da produtora Barro de Chão, ao perceber a ausência de um registro histórico sobre os frentistas no Brasil. “A partir daí, o projeto se transformou em um desafio ambicioso de não apenas documentar o presente, mas reconstruir o passado”, afirmou Rossi.
Durante 12 meses, uma equipe de quase 60 profissionais buscou acervos históricos, documentos e periódicos, além de percorrer as cinco regiões do país para entrevistar mil frentistas. O objetivo foi compreender o cotidiano, os desafios e a cultura da profissão sob uma perspectiva humana e honesta.
“Mais do que coletar depoimentos, o projeto buscou construir uma narrativa coletiva. Não são apenas as melhores histórias, mas aquelas que, juntas, formam uma visão do todo. O frentista também é cultura e faz parte de um patrimônio brasileiro”, concluiu Mauro Rossi.
O resultado é um retrato diverso e profundo que, segundo Rossi, “Um dos pilares do livro é dar voz aos próprios frentistas. Muitos inicialmente estavam tímidos ou descrentes da importância de suas histórias, mas a partir desse projeto passaram a reconhecer o papel fundamental da profissão que exercem”.


